Na zona rural de Araruama, o amor pelos cavalos e a devoção a Nossa Senhora Aparecida fazem parte da história de uma família há décadas. É uma tradição que começou com os pais, passou para os filhos e hoje chega à terceira geração, mantendo viva uma das manifestações religiosas e culturais mais tradicionais do município: a Cavalgada de Nossa Senhora Aparecida, realizada todos os anos no dia da padroeira do Brasil, 12 de outubro, pela Prefeitura de Araruama, em parceria com a Paróquia São Sebastião.
Charles Coelho de Figueiredo, que mora em Morro Grande, participa da cavalgada desde os 15 anos, sempre acompanhado do pai, Ademerval Neves de Figueiredo, conhecido carinhosamente como seu Dadá. Na década de 1990, ainda adolescente, ele já vivia com expectativa os dias que antecediam o evento.
“Dias antes, a ansiedade já não me deixava dormir: era o ritual do banho nos cavalos, o cuidado com as selas e o desejo de passar pela cidade exibindo nossos animais com muito orgulho e elegância.”

Os anos passaram, mas a tradição permaneceu. Charles nunca deixou de participar da cavalgada. Depois, ao se casar, encontrou na esposa, Karina Araújo, uma companheira que também carregava no coração o mesmo amor pelos cavalos e pela tradição. A ligação entre as duas famílias, inclusive, é ainda mais antiga: o avô dela, Elysio Araújo, ao lado de seu Dadá, esteve entre os fundadores da Cavalgada de Nossa Senhora Aparecida em Araruama.
A tradição ganhou novos capítulos com a chegada das filhas do casal, Isabela, de 22 anos, e Beatriz, de 18. As meninas cresceram acompanhando os pais e também herdaram o gosto pelos cavalos e a devoção a Nossa Senhora Aparecida.
Para Charles, ver as filhas participando da cavalgada representa a continuidade de uma história construída pela família ao longo de décadas.
“Ver a dedicação das nossas filhas na cavalgada nos dá a certeza de que a semente plantada pelo meu pai Dadá e pelo avô delas, Sr. Elysio Araújo, deu frutos fortes.”
Neste ano, a emoção será ainda maior. Charles, a esposa e as duas filhas estarão novamente juntos na Cavalgada de Nossa Senhora Aparecida, levando para as ruas não apenas os cavalos, mas também as lembranças e os ensinamentos de duas gerações que ajudaram a construir essa tradição.
Seu Elysio Araújo já faleceu, mas sua memória permanece presente na família e na própria história da cavalgada. Já seu Dadá, hoje com 91 anos, não consegue mais cavalgar, mas não abre mão de acompanhar o evento. Para continuar perto da tradição que ajudou a construir, ele estará no trio elétrico, com mais conforto e segurança, mas com o mesmo entusiasmo de sempre.

E a família está empolgada com os preparativos para o encontro desse ano, que segue acontecendo tradicionalmente em 12 de outubro. A concentração será às 9h, em frente à Igreja São Sebastião, Centro. De lá, cavaleiros e amazonas seguem por um percurso de aproximadamente seis quilômetros até o Parque de Exposição Agropecuária, na Fazendinha.
Para famílias como a de Charles, o trajeto representa a oportunidade de reunir diferentes gerações, rever amigos, renovar a fé e manter viva uma tradição que faz parte da história de Araruama.
“A fé e a família seguem juntos, e isso é o mais importante. É na Cavalgada de Nossa Senhora de Aparecida que a nossa família fortalece o amor. E se Deus quiser, ainda vai ter muita cavalgada pela frente”, finalizou Charles, emocionado.