Uma manhã de cinema, cultura e descoberta. Assim foi a terça-feira (7) para alunos da rede municipal de ensino de Araruama, que participaram da exibição do documentário “Os Doze Quilombos”, no Teatro Municipal. O grupo acompanhou a programação, que reuniu cinema, música, exposição fotográfica e reflexões sobre a história e a resistência das comunidades quilombolas da Região dos Lagos.
A abertura contou com a apresentação do grupo Valdeia Aldeia, responsável pela música que integra a produção audiovisual. Produzido por Pierre de Cristo, o documentário levou quase três anos para ser concluído e retrata a história, os saberes, a resistência e a riqueza cultural de doze comunidades quilombolas da Região dos Lagos. Em Araruama, os quilombos de Prodígio, em Morro Grande, e Sobara, em São Vicente, estão entre os territórios retratados.
Para a secretária municipal de Educação, Valéria Amaral, proporcionar esse contato com a história e a ancestralidade faz parte da missão da escola de formar cidadãos conscientes da própria identidade.
"É muito importante que a gente reconheça as nossas raízes e honre a nossa ancestralidade. Quando a Rede Municipal de Araruama promove ações como esta, estamos valorizando a nossa terra, a nossa gente e a história das nossas famílias. Conhecer quem veio antes de nós também é uma forma de compreender quem somos e de construir um futuro melhor por meio da educação", destacou.
Quem acompanha esse trabalho diariamente nas escolas percebe de perto o impacto dessas vivências na formação dos alunos. Para a professora Tamires Moreira, da Escola Estadual Municipalizada Prodígio, a atividade reforça um trabalho que já faz parte da rotina da unidade.
"Nós trabalhamos a cultura e a identidade dos nossos alunos todos os dias. Mostrar para eles a importância de conhecer suas origens, de se amar, de se valorizar e de ter orgulho da própria história faz toda a diferença. Estar aqui hoje fortalece esse aprendizado e faz com que eles se reconheçam ainda mais na própria cultura", afirmou.
Ao dar as boas-vindas aos estudantes, Pierre destacou que um dos principais objetivos da produção é aproximar as novas gerações dessa história e fazer com que cada vez mais pessoas conheçam os quilombos da região.
"Foram quase três anos de trabalho para construir este documentário. Ainda existem muitas pessoas que não conhecem os quilombos da nossa região. A ideia é justamente mostrar essa história, valorizar esses territórios e compartilhar a riqueza cultural e humana que existe neles", afirmou.