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FLA Araru: racismo, letramento racial e educação são debatidos por Djamila Ribeiro e Luana Génot

Em tenda lotada, escritoras discutiram letramento racial, representatividade e o apagamento histórico de vozes negras na educação e na produção de conhecimento.

por Cláudia Almeida Publicado em 16/08/2026 às 20:22 18 Visualizações

  • A Tenda Principal da FLA Araru ficou lotada neste domingo (16), na Praça Antônio Raposo, para um dos debates de maior repercussão da programação. A filósofa e escritora Djamila Ribeiro e a escritora e ativista Luana Génot colocaram em discussão temas como racismo estrutural, letramento racial, representatividade e a necessidade de uma educação que reconheça diferentes vozes e perspectivas.

  • Com mediação do historiador Pierre de Cristo, o encontro “Do lugar de fala ao letramento racial: enfrentar o racismo estrutural e fortalecer práticas antirracistas pela escrita e pela educação” levou ao público uma reflexão sobre como o racismo foi construído historicamente e de que maneira seus efeitos ainda aparecem na educação, no mercado de trabalho e nos espaços de produção de conhecimento.

  • Djamila Ribeiro destaca diversidade brasileira

  • Durante a conversa, Djamila Ribeiro falou sobre a nova edição de seu livro "Lugar de Fala", obra que se tornou referência no debate público brasileiro sobre racismo, representatividade e os diferentes lugares sociais a partir dos quais conhecimentos e experiências são produzidos.

  • “Estou muito feliz de apresentar ao público a nova edição do meu livro: Lugar de fala, que procura dialogar sobre o racismo e que a gente possa mostrar essas vozes que vêm de vários lugares”, afirmou Djamila.



  • A escritora também defendeu que a educação antirracista passa pelo reconhecimento da própria formação da sociedade brasileira e de sua diversidade.

  • “O Brasil precisa reconhecer a sua identidade cultural e a riqueza e a diversidade de povos. Então falar de educação antirracista e de diversidade é tão somente reconhecer aquilo que o Brasil já é: diverso, formado por pessoas negras, indígenas, brancas. O reconhecimento disso é muito importante”, destacou.

  • A discussão também abordou a presença de pensadores negros e africanos nos currículos acadêmicos e o apagamento histórico dessas contribuições. As palestrantes questionaram ainda as origens do chamado racismo científico e a forma como ideias construídas ao longo da história ajudaram a estabelecer hierarquias raciais que permanecem presentes na sociedade.



  • Letramento racial

  • Luana Génot aprofundou o conceito de letramento racial e destacou que compreender as relações raciais também exige conhecer a própria identidade e a história brasileira.

  • “É preciso ter letramento racial para entender sobre minha identidade. É importante entender sobre a história do Brasil. Quantos estudiosos negros que foram apagados da história? As mulheres negras são minorizadas em cargos de liderança”, afirmou.

  • A escritora também questionou a permanência de estereótipos relacionados aos espaços ocupados por mulheres negras e indígenas e defendeu políticas de inclusão como instrumentos de enfrentamento às desigualdades.

  • “Trabalho doméstico não pode ser o único lugar de fala para mulheres negras e indígenas. As cotas raciais são direito nosso, o letramento racial é um direito nosso”, declarou.



  • Debate abriu espaço para o público

  • Além das falas das convidadas, o encontro contou com perguntas e participação da plateia. A conversa aproximou os temas discutidos da realidade dos participantes e ampliou a reflexão sobre racismo, identidade, educação e representatividade.

  • A presença expressiva na Tenda Principal mostrou o interesse do público pelo debate, que também marcou a conclusão do circuito de palestras da FLA Araru 2026.

  • Com o encontro, a feira encerrou sua agenda de palestras colocando em evidência uma discussão que atravessou diferentes atividades da programação: o papel da literatura e da educação na ampliação do acesso ao conhecimento e na construção de novas narrativas sobre a sociedade brasileira.
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