Notícia

Na FLA Araru, ‘Maria Costureira’ transforma memória, afeto e resistência em literatura infantil

Inspirada na trajetória da própria mãe, Sá Soraya apresenta na Feira Literária de Araruama uma história que atravessa gerações e celebra o poder da arte e da memória

por Filipe Carbone Publicado em 14/08/2026 às 15:51 27 Visualizações

A FLA Araru também é espaço para histórias que nasceram muito antes de chegar aos livros. Entre autores, leitores e estudantes que movimentam a Feira Literária de Araruama, Sá Soraya apresenta Maria Costureira, obra infantil publicada em 2023 e inspirada na trajetória de sua própria mãe. O livro transforma em literatura uma história marcada por infância, criatividade e superação, ao mesmo tempo em que encontra na Feira a oportunidade de chegar diretamente às mãos de novos leitores.

A personagem que dá vida à obra nasceu da história real da mãe de Soraya. Ainda criança, ela via a irmã usar vestidos rodados enquanto recebia roupas mais retas por causa do próprio corpo. O desejo de também ter um vestido que pudesse rodar ganhou um novo capítulo quando recebeu do padrinho um pedaço de tecido. Sem conhecimento prévio, decidiu criar a própria roupa. A experiência abriu caminho para uma habilidade que mudaria sua vida: primeiro costurando à mão, depois em uma máquina, até se tornar referência para os moradores do bairro.

“Ela começou a costurar pros irmãos, pra todo mundo. E aí depois, mais tarde, ela aprendeu a costurar na máquina, e tudo sozinha. Era assim que ela costurava, do jeito dela. E virou a grande costureira do bairro”, relembrou Soraya.


A história permaneceu guardada na memória da autora mesmo depois da morte da mãe, quando Soraya tinha 20 anos. Anos mais tarde, ao observar a filha caçula costurando roupas para as próprias bonecas, aquela lembrança voltou à tona. Foi nesse encontro entre três gerações que surgiu a ideia de transformar a trajetória da mãe em literatura para crianças. O primeiro texto ficou guardado por anos até que políticas de incentivo à cultura permitiram a publicação da obra, que posteriormente também chegou às escolas.

“Quando eu contei essa história pra minha filha, eu falei: ‘Cara, isso virou um livro de infância. Eu posso contar isso pras crianças’. E aí eu escrevi. [...] Sempre com esse pensamento de: ‘Ah, um dia eu vou publicar isso’”, contou a autora.

A ligação de Soraya com a obra vai além das palavras. Ela também produziu todas as ilustrações do livro, unindo escrita e artes visuais para contar uma história que considera profundamente afetiva. O universo de Maria Costureira continua crescendo: a narrativa também inspirou composições utilizadas em contações de histórias e agora será transformada em Maria Costureira – O Musical, projeto contemplado em edital cultural.


Na FLA Araru, essa história encontrou aquilo que a autora desejava desde a publicação: leitores. Além dos autógrafos e do contato com crianças, professores e famílias, Soraya pôde comercializar o livro por meio dos vouchers da Feira, iniciativa que também contempla autores locais.

Para quem já havia participado da segunda edição do evento, retornar significou encontrar uma FLA maior, tomada por estudantes e com diferentes atividades acontecendo simultaneamente pelos espaços.

“A feira tá muito bonita. Eu achei que hoje teve muito aluno. Tem muitas atividades espalhadas acontecendo tudo simultaneamente”, avaliou Soraya.

A FLA Araru reúne ao longo de sua programação atividades literárias, culturais e espaços voltados às crianças, além de aproximar escritores do público e ampliar o acesso dos estudantes aos livros.


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