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Pró-Ler: Prefeitura de Araruama amplia programa de alfabetização para alunos do 6º ao 9º ano da rede municipal

por Filipe Carbone Publicado em 16/07/2026 às 17:09 38 Visualizações

A Prefeitura de Araruama ampliou o Programa Pró-Ler, iniciativa voltada à recuperação da aprendizagem dos estudantes da rede municipal. A partir deste ano letivo, o projeto passa a atender também alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, ampliando o alcance para que crianças e adolescentes avancem na alfabetização e consolidem habilidades essenciais de leitura e escrita.

Implantado em 2023, o programa foi criado para enfrentar os impactos da pandemia na educação e agora reforça o atendimento no contraturno escolar, com acompanhamento pedagógico especializado e foco na redução das defasagens de aprendizagem. A metodologia é construída por meio de turmas multisseriadas, onde estudantes de diferentes anos, mas com desafios semelhantes, aprendem juntos.

Para a secretária municipal de Educação do município, Valéria Amaral, a estruturação e o fortalecimento do Pró-Ler refletem o compromisso central com a equidade e a inclusão. Ela ressalta que a manutenção e o aprimoramento do atendimento são passos estratégicos para combater as defasagens históricas e assegurar que a rede municipal atue como um verdadeiro pilar de suporte escolar para a comunidade.

"A alfabetização é a prioridade desta gestão. Nosso foco de trabalho diário é o resgate desses estudantes, garantindo um ambiente que oportunize a aprendizagem de todos, sem exceção. O projeto existe exatamente para assegurar que cada aluno tenha a chance real de aprender, se desenvolver e trilhar seu caminho acadêmico com a base que eles merecem e têm direito", destaca a secretária.

Para garantir a eficácia do ensino, a Secretaria de Educação do Município cria sequências didáticas específicas. Estas, por sua vez, são enviadas às escolas e adaptadas pelos professores para a realidade de cada comunidade.

Para a coordenadora do Pró-Ler, Adriana Parisotto, o trabalho realizado pelas equipes nas escolas vai muito além do reforço pedagógico. De acordo com ela, trata-se da garantia de um princípio básico de cidadania que altera de forma permanente a trajetória do jovem. 

"Aprender a ler e a escrever é um direito humano fundamental. Sem a aprendizagem da leitura e da escrita, o desenvolvimento acadêmico e escolar fica muito prejudicado e chega um momento em que acaba sendo inviabilizado. Então, essa aprendizagem não é só importante, ela é fundamental", destaca a coordenadora.

O diferencial humano, apontado pela coordenação, é um dos maiores pilares desta nova fase. Os professores dedicados a essas turmas passam por triagens para garantir o perfil de acolhimento necessário, abraçando a iniciativa com dedicação. Mais do que focar apenas em notas, o projeto existe para resgatar a autoestima dos estudantes, colhendo, ano após ano, histórias de superação.

A grande novidade de 2026 é que esse cuidado, que já atendia crianças do 3º ao 5º ano (Pró-Ler I), estende-se de forma inteligente para atender as necessidades dos adolescentes (Pró-Ler II). Além disso, a estrutura conta com suporte extra para alunos já alfabetizados, mas que precisam consolidar a interpretação de textos e as operações matemáticas básicas.

Os resultados do projeto refletem o impacto contínuo da iniciativa na rede municipal. Entre os anos de 2023 e 2025, o Pró-Ler atendeu 1.172 estudantes, alcançando uma média de 83% de alunos efetivamente alfabetizados ao final dos ciclos. O ano de 2023 registrou o maior índice de aproveitamento, com 86% dos 376 matriculados consolidando a leitura e a escrita. 

Em 2024 e 2025, o programa atendeu 443 e 353 alunos, com taxas de alfabetização de 81% e 83%, respectivamente. Para o atual ano letivo de 2026, cujas avaliações e atividades estão em andamento, há 297 estudantes matriculados, o que eleva o alcance histórico do projeto para 1.469 alunos inseridos na iniciativa desde a criação.

Lidando diariamente com a frustração de alunos que não conseguiram se alfabetizar no tempo regular, Claudia, professora do Pró-Ler na Escola Municipal Jeronimo Carlos do Nascimento, destaca que o primeiro passo do projeto é a reconstrução da confiança dessas crianças. Para a educadora, a iniciativa é, acima de tudo, um resgate social:

"A gente pega essas crianças que estão desacreditadas, os pais já não acreditam nelas e elas não acreditam em si mesmas. Então, a gente trabalha toda a questão da autoestima, para a criança se sentir empoderada e capaz. O Pró-Ler veio para mostrar que existe esperança, sim, para alunos que por algum motivo ficaram no meio do caminho. Existe forma de resgatá-los”, disse.

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