Nem todo professor sonhou em ser professor. Para alguns, a profissão começou nas brincadeiras de infância. Para outros, surgiu da necessidade de trabalhar ou de uma mudança nos planos para o futuro. Em Araruama, educadores que dedicam décadas à rede municipal de ensino carregam histórias que ajudam a compreender o que existe por trás da escolha de ensinar. Para celebrar o Dia dos Professores, 15 de outubro, a prefeitura reuniu três profissionais que relembram como chegaram à sala de aula e o que encontraram nela.
As trajetórias de Edilene dos Santos, Mônica Souza e Lucimar Sena começaram em momentos e circunstâncias diferentes. Com 35, 33 e 21 anos de atuação na rede municipal, respectivamente, eles fazem parte de uma geração de educadores que acompanhou mudanças na educação e participou da formação de diferentes turmas de estudantes.
Na casa de Edilene, a escola fazia parte da rotina mesmo depois do fim das aulas. A irmã, o cunhado e outros familiares eram professores. Ainda criança, ela reproduzia nas brincadeiras aquilo que observava entre os adultos. Com giz e bonecas, improvisava as próprias aulas. A profissão, que mais tarde abraçaria oficialmente ao ingressar na rede municipal em 1991, já ocupava espaço na vida muito antes da escolha profissional.
“Sou de uma família de professores, né? A minha irmã foi minha professora, meu cunhado, minha outra irmã... Quer dizer, é toda uma história de ser professor na minha casa, uma vida. A gente já brincava em casa, com giz, de ensinar com as bonecas. Então foi uma coisa que foi construída dentro da gente. Até pensei em ser dentista, mas meu coração sempre esteve voltado para ensinar”, relembra.

Para Mônica Souza, o caminho foi diferente. Aos 19 anos, ela não se imaginava professora. Seu sonho era estudar Medicina, mas a realidade não permitiu que seguisse esse plano. A alternativa foi cursar Ciências Biológicas, uma área que mantinha a proximidade com o interesse pela ciência. A possibilidade de lecionar, no entanto, não estava entre os objetivos. Foi a necessidade que a levou, pela primeira vez, a assumir uma turma.
“Sempre sonhei em ser médica, mas as condições não me permitiram isso. A condição financeira não me deu condições de fazer Medicina. Então eu escolhi uma área que estivesse voltada para a Ciência e comecei a fazer Ciências Biológicas. Eu queria ser cientista ou biomédica. Mas quando, aos 19 anos, entrei numa sala de aula, até por uma questão de sobrevivência, porque precisava ganhar dinheiro, eu vi que estava no lugar certo, eu me identifiquei”, conta.
A identificação que Mônica não esperava encontrar deu início a uma trajetória que já soma 33 anos na rede municipal, desde o ingresso em 1993. A experiência vai de encontro com a de Edilene: enquanto uma cresceu cercada pela profissão que desejava seguir, a outra precisou entrar em sala de aula para descobrir que queria permanecer nela.
O professor de História Lucimar Sena também começou a lecionar antes de ingressar na rede pública de Araruama. Em 1999, ainda durante a faculdade, dava aulas em um pré-vestibular popular em Niterói. Em 2003, veio ao município para prestar concurso público e, desde 2005, integra o quadro efetivo de professores. Após 21 anos na rede, ele destaca um aspecto que considera indispensável ao trabalho docente: encontrar satisfação no próprio ato de ensinar.
“Se a gente não se divertir dando aula, a gente não consegue trabalhar direito. A gente faz um trabalho educacional de base. Eu sou professor de História e trabalho o tempo todo com reflexão, fazendo o aluno pensar sobre o modo em que vive, como está pensando a sociedade atual, olhando o passado para poder aprender”, explica.
Para Lucimar, o ensino de História não se limita aos acontecimentos registrados nos livros. Isso porque o trabalho busca fazer com que os estudantes estabeleçam relações entre o passado e a realidade em que vivem. É nessa troca cotidiana, segundo o professor, que encontra parte do sentido de permanecer na educação.