O xadrez ganhou espaço na rotina dos alunos da Escola Municipal Honorino Coutinho, em Morro Grande, terceiro distrito de Araruama. Por meio do projeto Arte em Jogo, estudantes têm contato com a modalidade dentro da escola e encontram no tabuleiro uma atividade que vai além da competição, envolvendo concentração, raciocínio e convivência.
Foi por meio do próprio projeto que Juan Portugal, aluno da turma 701, aprendeu a jogar. O primeiro contato aconteceu no ano passado, quando ele pediu ao professor que o ensinasse. A partir dali, o interesse cresceu e acabou levando o estudante ao primeiro lugar no torneio de xadrez realizado na escola.
“Comecei a jogar xadrez no ano passado, no Arte em Jogo. Pedi para o professor me ensinar e comecei a jogar. Ano passado fui o campeão de xadrez daqui da escola, fiquei em primeiro lugar. Este ano pretendo fazer de novo o torneio para tentar buscar a primeira colocação de novo”, conta Juan.

Mais do que o resultado nas partidas, o estudante destaca a sensação que encontrou durante os jogos. Para ele, o xadrez também passou a ser um momento de tranquilidade e de convivência com colegas e professores dentro da escola.
“Para mim, traz uma paz jogar xadrez. Me sinto bem jogando, ainda mais com os professores e os amigos. É divertido, eu rio, brinco com as pessoas jogando. É legal”, afirma.
Professor do Arte em Jogo, Magno dos Santos também encontrou no xadrez um interesse que começou dentro de casa. A esposa, Denize, participante da modalidade no projeto, já trabalhava com o xadrez havia anos quando despertou nele a curiosidade pelo jogo. Hoje, Magno participa diretamente das atividades desenvolvidas com os alunos da rede municipal.
Na Escola Honorino Coutinho, a procura pela modalidade vem crescendo. Segundo o professor, cerca de 40 estudantes participam das atividades, mas o interesse não se limita aos inscritos. Os tabuleiros também são disponibilizados em outros momentos da rotina escolar, inclusive durante o recreio.
“Estou com 40 alunos aqui. A procura é grande e estão vindo mais. Eu disponibilizo mesas aqui fora quando o tempo está bom, e os alunos jogam na hora do recreio. Está bem legal a procura pelo xadrez aqui”, explica Magno.

A presença do xadrez no dia a dia também passou a ser percebida na convivência entre os estudantes. De acordo com o professor, a direção da escola relatou uma redução nas ocorrências de brigas entre alunos desde que a prática ganhou mais espaço no pátio.
Além da socialização, o professor destaca benefícios diretamente ligados ao aprendizado. O xadrez exige que o aluno pense antes de agir, avalie possibilidades e mantenha a atenção durante cada partida, habilidades que também podem ser trabalhadas em outras atividades escolares.
“O xadrez desenvolve o raciocínio lógico, a tomada de decisão e a concentração. As crianças fazem aula de reforço e xadrez em parceria com a professora de reforço. Os alunos terminam o dever e perguntam se podem ir jogar. Eu acolho, inscrito ou não”, explica.