Evento na Casa de Cultura contou com a exibição do documentário 'A Vida Lá Fora' e com apresentações artísticas
A Casa de Cultura José Geraldo Caú recebeu, na sexta-feira (29), uma mostra cultural que encerrou a programação da Semana da Luta Antimanicomial em Araruama. A iniciativa, do Programa de Saúde Mental da Prefeitura, contou com a exibição do documentário "A Vida Lá Fora" e com apresentações artísticas.
Uma das apresentações foi a da oficineira de arte do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) Andréa Amélia, conhecida artisticamente como “Menina do Palco”. Na visão dela, a arte dentro dos dispositivos de saúde mental tem um papel "transformador".
“A arte conecta o ser humano consigo mesmo e com a coletividade. Ela traz pertencimento, autoconfiança e sensibiliza não só o indivíduo, mas também a sociedade. A transformação acontece de forma coletiva, e a arte é essencial nesse processo”, afirmou.
Andréa também ressaltou a importância das oficinas desenvolvidas junto às crianças e adolescentes atendidos pelo CAPSi. “As oficinas são espaços para a criança voltar a ser criança e para o adolescente poder viver essa fase com acolhimento. Muitas vezes o sofrimento atropela isso. Brincar, imaginar e se expressar também são formas de cura”, completou.
O documentário exibido na mostra, “A Vida Lá Fora”, é produção própria do Programa de Saúde Mental de Araruama. Ele dá continuidade ao trabalho iniciado no ano passado sobre as vivências de pessoas que passaram por longos períodos de internação em manicômios. Desta vez, o olhar se volta para as trajetórias construídas após esse processo, destacando vínculos, afetos, reconstrução de vidas e reinserção social.
Durante a mostra, o diretor do Centro de Convivência e Cultura (CECO), Estevão Medeiros, reforçou que a luta antimanicomial segue atual e necessária.
“Esse evento celebra uma luta histórica, que marcou o fechamento dos manicômios físicos, mas muitos manicômios ainda permanecem na lógica da sociedade. A cultura e a arte são ferramentas fundamentais para transformar essa realidade e aproximar as pessoas desse debate”, destacou.
A Semana da Luta Antimanicomial promoveu, ao longo da segunda quinzena de maio, ações culturais, mobilizações e atividades de conscientização com o objetivo de ampliar o debate sobre saúde mental e compartilhar conhecimento sobre a necessidade de liberdade, acolhimento e o combate ao preconceito.